O monitoramento de conteúdo na internet mudou radicalmente. Hoje, agências de notícias internacionais e empresas de gestão de direitos autorais (como a PicRights, que atua em nome de veículos como Reuters, AFP e AP) utilizam sistemas automatizados com inteligência artificial e web crawlers para rastrear o uso não autorizado de fotografias em portais de notícias de todos os portes.
Essas varreduras analisam todo o histórico dos sites, identificando publicações antigas e gerando notificações extrajudiciais com cobranças de valores expressivos pelo uso não licenciado.
Excluir a imagem ou a matéria resolve o problema?
Um dos erros mais comuns entre editores e gestores de conteúdo é acreditar que remover a imagem do ar após o recebimento da notificação encerra a pendência legal.
Pela Lei de Direitos Autorais brasileira (Lei nº 9.610/98), a situação se divide em duas esferas jurídicas distintas:
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Obrigação de cessar a infração: Excluir o arquivo ou a matéria cumpre o papel de interromper a violação, evitando que o dano continue a se prolongar no tempo.
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Reparação pelo dano consumado: A remoção da foto não apaga o fato de que ela esteve publicada. O titular dos direitos mantém a prerrogativa legal de pleitear indenização pelo período em que a obra foi veiculada sem autorização prévia.
Portanto, a exclusão imediata é um passo indispensável para demonstrar boa-fé e conter prejuízos, mas não anula a responsabilidade civil pelo uso passado.
Diretrizes para publicação segura
Para evitar passivos financeiros e garantir a segurança jurídica da sua operação editorial, adote os seguintes procedimentos na rotina da redação:
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Utilize bancos de imagens autorizados: Trabalhe apenas com plataformas que ofereçam licenças livres e explícitas para uso editorial (Creative Commons Zero ou licenças de domínio público, como Unsplash, Pexels e Pixabay, Magnific) ou através de acervos pagos contratados pela empresa.
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Proíba a captura direta em motores de busca: Imagens encontradas no Google Imagens frequentemente pertencem a agências de notícias ou fotógrafos independentes. O uso dessas imagens, mesmo com a citação da fonte no texto, não substitui o licenciamento formal.
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Valide materiais de assessoria de imprensa: Fotografias enviadas por secretarias de comunicação, órgãos públicos ou assessorias privadas podem ser publicadas, desde que façam parte do material oficial de divulgação da pauta e tragam a devida atribuição do crédito.
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Mantenha um registro interno de licenciamento: Crie o hábito de documentar a origem, o autor e o tipo de licença de cada arquivo anexado às matérias. Esse histórico é fundamental caso haja necessidade de auditoria ou defesa futura.
A prevenção e a padronização do fluxo de checagem visual são os caminhos mais eficazes para proteger a reputação e a saúde financeira do seu veículo de comunicação.

